O conceito é
bom, mas vago. Apenas regar não garante a sobrevivência de planta
alguma, aliás, em alguns casos a rega diária pode matar.
É necessário examinar as peculiaridades de cada uma, o ato de
regar diariamente pode se tornar mecânico e, assim, à luz do olhar,
necessária como o sol para a fotossíntese, pode se esconder atrás de
complexas e cotidianas nuvens. A vida é em sua essência regada por
prazer.
O alimento que uma planta almeja hoje pode ser desnecessário
amanhã. Há uma constante evolução de todas as coisas e do amor, este
primordial sentimento que julgamos ser exclusivo de nossa espécie, não
poderia ser imune as nossas transformações.
Algum sábio afirmou, não exatamente nessas palavras, que cuidar das raízes é vislumbrar uma copa verdejante!
Uma planta precisa ser admirada, adubada... é a luz do olhar
amoroso que a faz crescer, a água é lugar comum. Assim também é com o
amor. Há que perceber as mudanças, realizar as podas necessárias para
que aconteça a floração.
É preciso reinventar o amor de vez em quando, amar tem a ver com a
ternura. É perceber a assimetria dos movimentos, é sorrir quando o
vento leva para longe as sementes do ser amado.
É admirar as diferentes nuances sob a mesma luz.
Sentir a atuação do tempo e andar de mãos dadas com ele. Olhar a
trajetória com ternura, emoldurar bons momentos, viver o hoje como nunca
mais e fazer por onde ter uma bela colheita.
Aceitar o que não parece belo e transformar a curva em um traço reto.
O amor é meu cerne, o que me move. Não posso fugir, nem quero!
Creio nos acertos de Vinícius e sigo buscando meu caminho, vivendo o meu
amor, evitando tropeços levianos.
Minha arte é ancestral à receita que tanto buscamos, sabemos-na de
cor e, de tão simples, perdemos-nos no quanto baste às vezes para mais,
outras para menos.
Retorno onde iniciei, refazendo o caminho, revendo os detalhes
perdidos na ansiedade do não errar. Descobrindo que os supostos erros
são acertos desconhecidos até então!
Rei ou plebeu, Medeia, Orfeu entre juras e feitiços somos todos
iguais e frágeis, somos plantas sedentas por água, mas não apenas dela
vivemos! Por que seria diferente com o amor? Como poderia satisfazer-se
com um regar displicente?
Amor é a certeza no que é incerto, é crer no bulbo.
Não desista de uma planta porque o caule secou. Há vida onde os
olhos não alcançam, os sentimentos vivem no invisível, a sua força
motriz está no amor porvir, a semente da esperança só seca no abismo da
desistência.
Ame com a certeza de "um novo amor a cada novo amanhecer!"
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